Arquivo do mês: março 2009

Merecemos uma ponte

Por do Sol na Barra. Viva Salvador!A vida contemporânea exige uma dinâmica que nos deixa sem tempo para pensar com tranquilidade. 

Na semana do aniversário da cidade, é tempo de rever alguns pontos.

O primeiro é a ponte Salvador-Itaparica,  que veio à tona na visita do presidente.

Entendo que é possível, tem custo elevado, mas seria a obra mais relevante para o desenvolvimento da capital dos baianos, depois de um metrô decente. O metrô de Londres foi inaugurado no século XIX, em 1863. Precisamos ser mais competentes!

O sistema de ferry-boat é ruim, é demorado, não funciona.

A ponte integraria Salvador ao baixo sul do estado.

Seria possível ir de Salvador à Barra Grande ou Itacaré em cerca de 3 horas. Hoje mais frequentada por paulistas. Sei disso porque vou de Bom Despacho à Camamu em duas horas e meia.

Há vários bons exemplos no Brasil: Ponte Rio-Niterói (13,2 km),  Terceira Ponte (Vitória – Vila Velha),  a Rodoferroviária SP-MT (3,7 km), Ponte Ayrton Senna (Rio Paraná, 3,6 km).

É possível, é uma solução usada em todo o mundo.

É demonstração de competência em engenharia.

Fizemos o Elevador Lacerda e outras obras geniais.

As empresas baianas fazem Aeroportos, Hidrelétricas, Pontes, Estádios e Estradas por todo o mundo.

Mais recentemente, Aracajú (1,8 km) e Natal(1,8 km) fizeram obras importantes, que alteraram a vida nessas capitais.

Em Lisboa, dirigi pela Ponte Vasco da Gama, construída para a Expo 98, com recursos da União Européia. Tem 17,3 km. O custo da ponte foi zero para o Estado, uma vez que foi construído no COT pela Lusoponte, um consórcio privado que obteve uma concessão de 40 anos sobre as portagens das duas pontes de Lisboa.  A tarifa atual é de € 2,25 (R$ 7,75), muito mais barata que os ferries da Bahia. Caminhão custa R$ 30.

Pontes são orgulho de nações. Há competições nessa área.

Há apenas 13 pontes no mundo com mais de 10 km. 5 ficam nos EUA, inclusive a mais extensa, feita há 53 anos! 4 ficam na China.

A ponte Salvador – Itaparica seria fato mundial, notícia em todo o mundo. Promoção de nossa capacidade. Um fato que precisamos, para contrastar com a violência, a pobreza.

Dá para inaugurar até a  Copa 2014. Basta querer. Não o governo, mas a sociedade.

Integraria a Baía de Todos os Santos definitivamente à vida da capital, valorizando a Ilha de Itaparica e as belíssimas localidades ao sul.

Propiciaria novas possibilidades de expansão da cidade, viabilizaria seu crescimento de forma orgânica.

O melhor presente para Salvador, depois de um metrô competente, volto a dizer, seria a sua ligação com a Ilha de Itaparica e demais localidades. 

Só não podemos incorrer no erro do estádio para a Copa 2014, em que parece que o estado, falido, vai querer bancar o empreendimento.

Isso deve ser realizado pela iniciativa privada, financiado por capitais de longo prazo, como fundos de pensão. É retorno garantido. Vai multiplicar por 20 a mobilidade em Salvador.

Apesar das limitações de financiamento no contexto mundial, esse tipo de projeto é facilmente captado. 

Eu pagaria o pedágio (pelo celular, como os portugueses, sem filas inúteis e burras) para passear no final da tarde de um sabadão, tomar um sorvete em Mar Grande, jantar na Gamboa e dormir na minha casa em Salvador.

Queremos uma ponte, ou vamos morar em baixo da ponte…

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Semana do Niver de SSA

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Muito bonita a exposição de fotos no Shopping Paseo Itaigara, em comemoração aos 460 anos de Salvador. São 30 imagens do fotógrafo Osmar Gama. 

São fotos de paisagens conhecidas, em ângulos abertos, muito originais.

Esperando uma catástrofe

Desculpem pelo título. Li hoje um texto de Umberto Eco, para nos  fazer pensar, após os escândalos do Senado e da Satiagraha.

De acordo com a “teoria da catástrofe”, do matemático francês René Frédéric Thom, uma catástrofe é uma “reviravolta” ou mudança, antes da qual não havia mudança alguma e depois da qual é só o que resta, ou vice-versa. Por este raciocínio, as catástrofes podem incluir o sono ou a morte – como diz a canção dos soldados franceses, um pouco antes de morrer, Jacques de la Palisse estava vivo – mas se enquadram também, de acordo com algumas interpretações, vários eventos históricos, como motins e revoltas em prisões. Até uma cura miraculosa pode ser descrita como uma catástrofe.

Fonte: http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3648850-EI12929,00-O+Futurismo+nao+e+uma+catastrofe.html

 

Até quando o poder em nosso Brasil ficará na mão das oligarquias?

Você está tão acostumado que nem liga mais para isso?  

Caminhos na vida

Somos tão jovens!

Ficamos boa parte de nossas vidas em busca de algumas coisas.

Quase sempre, achamos que sabemos o que buscamos.

Muito já foi dito sobre isso. Da ciência à religião. Da física à filosofia. 

Esta eterna busca pro resultados, seja na vida, na profissão, nos amores, com os filhos, em nossos pequenos desejos do dia-a-dia, gera mais ansiedade que satisfação. Não é mesmo?

Quantas vezes você sentiu satisfação completa?

Estes momentos foram duradouros? 

Podemos dizer que duraram quanto tempo?

Geralmente passam muito rápido e deixam aquele gostinho de quero mais, alimentando novas expectativas, quase nunca alcançadas.

Com meu pouco tempo de vida, cada vez mais entendo que o é caminho mais interessante do que as metas atingidas.

Primeiro, porque o caminho muda nossa compreensão do que queremos. Nossas expectativas são ajustadas, “caem na real”, mas também crescem, vislumbrando o que antes era impensável.

Segundo, porque o caminho é muito mais duradouro, faz mais sentido, do que um mero objetivo. Objetivar é empobrecer. Exceto em algumas situações.

Será que o período de faculdade, com tantas novidades, novas amizades, desafios, rumos, confiança, entendimentos, desenvolvimentos, é menos importante que o canudo de formatura?

Em suma, seguir em frente, olhar nas estrelas, pés no chão, mas curtindo o durante. Ele vira passado rapidinho. É o presente que mais importa.

“Até quando esperar?”, como diria a Plebe Rude, uma das bandas legais dos anos 80 no Rock Brasil.

“Temos nosso próprio tempo. Não temos medo do escuro. Mas deixe as luzes acesas. Somos tão jovens.”  Legião Urbana

Direito à Preguiça

 

Colônia à beia-mar.

Colônia à beia-mar.

 “Sejamos preguiçosos em tudo, exceto em amar e em beber, exceto em sermos preguiçosos.” LESSING

No retorno das férias é que podemos perceber como é importante sair do ar por alguns dias.

Nossa rotina profissional, familiar, social e de obrigações é pesada.

O mundo é cada vez mais rápido e as exigências aumentam.

Alguns piram com isso!

Nos finais de semana, sempre há algo a fazer: compras, consertos, visitas. Não é possível recuperar a energia apenas com dois dias. 

Ainda que no dia-a-dia adotemos as melhores práticas: boa alimentação, exercícios físicos, orações, meditação, distração, falta um período maior de tranquilidade (acabou o trema!) para reequilibrar.

Um amigo comentou comigo que sua viagem no carnaval durou 4 dias, que foram claramente insuficientes para “desligar”.

Isso só pode ser alcançado com uma sequência maior de descanso.

Nos primeiros dias, ainda estamos muito ligados nas responsabilidades.

Meu carnaval teve 10 dias.

Tenho que admitir que senti o baque da volta.

As exigências causaram impacto, mas eu me sinto mais preparado para enfrentá-las após o ócio criativo, a preguiça.

Recentemente, Domenico de Masi defendeu a utilidade do ócio para a criatividade e os resultados na vida contemporânea.  

Em 1880, o genro de Marx, Paul Lafarge já polemizava sobre essa lógica do supervalor do trabalho:

“Preguiça, tem piedade da nossa longa miséria! Ó Preguiça, mãe das artes e das nobres virtudes, sê o bálsamo das angústias humanas!” PAUL LAFARGE

Não se prenda nessa vida que estão tentando vender para você.

Ocupação demais pode significar vida de menos.

Viva intensamente.

Aproveite ao máximo.

Com a cabeça, o coração e a mente no lugar.