Arquivo do mês: maio 2009

Acostumados com o sucesso

O caminho é um só...

Em dia de festa para as 12 capitais brasileiras que receberão jogos da Copa do Mundo de Futebol em 2014, faço questão de alertar para a situação das cidades que não foram escolhidas.

As 7 capitais ficarão sem os investimentos acelerados gerados por um evento que mobiliza governos e investidores em todo o mundo.

Será que sabemos perder?

Como somos ensinados a lidar com as adversidades?

Já falei sobre isso em outros posts, mas faço questão de retornar ao tema por conta de outro fato.

Ontem pela manhã, enquanto eu dirigia o carro (temos desafios enormes para garantir a infra-estrutura de transportes para a Copa, seja em Salvador ou em qualquer uma das demais cidades eleitas), me deparei com um outdoor de um dos mais importantes colégios particulares de Salvador, que por conta da sua nota no último ENEM usou como argumento publicitário a seguinte frase “Aqui você se acostuma com as vitórias”.

Lembrei de uns adesivos que alguns pais colavam em seus automóveis informando que seus filhos haviam sido “alunos destaque” de outra escola de elite.

Achei essas duas propagandas absurdas. Estão disseminando a lógica de que só ganhar interessa, menosprezando o aprendizado das derrotas, tão importante para o desenvolvimento do ser humano.

Esse tipo de lógica faz pessoas que querem tirar vantagem, que não respeitam os demais, que querem vencer a qualquer preço. Muito das dificuldades de nossa vida em sociedade é fruto desse tipo de mentalidade.

Se era bom em tempos de concorrência do vestibular, as coisas verdadeiramente mudaram. Isso é ruim para a vida, pois faz sujeitos despreparados para adversidades, que a vida normalmente apresenta.

Acostume seus filhos a saber perder, o que não quer dizer que eles sejam fracos para ganhar.

Ainda hoje, o melhor tenista do mundo, Rafael Nadal, perdeu seu primeiro jogo em Rolland Garros, na França. Será que ele seria o the best se estivesse apenas “acostumado com o sucesso”?

Acredito que quem não sabe lidar com insucessos tem mais dificuldade para vencer do que os “acostumados com o sucesso”.

Conheço alguns “acostumados com o sucesso” que vivem vidas fúteis, sem graça, com altas taxas de infelicidade e depressão, dependência de terceiros, falta de educação e pouca sanidade mental.

Sei que as escolas não trabalham apenas esse aspecto na educação dos jovens, mas a mensagem tem força e deveria ser aperfeiçoada.

Quem sabe: acostumados com o sucesso e com o insucesso?

O que você acha? Comente.

As pessoas e o tempo

 

Caribé

Caribé

Durante a semana que passou, visitei os projetos do Candeal Pequeno de Brotas, sob a liderança de Carlinhos Brown, e isto me fez pensar. Que bacana ter alguém fazendo coisas pela comunidade, criando, executando, inventando, fazendo acontecer. Sempre admirei quem tem a capacidade de realizar.

Ao visitar a exposição em homenagem à Caribé, ontem no Solar do Unhão, fiquei muito feliz em ver um pouco da obra de um grande artista.

(Preciso fazer um parênteses. Ainda temos situações completamente amadoras em Salvador, mesmo quando vamos ao Museu de Arte Moderna da Bahia, um dos mais visitados do Brasil. Estava chovendo e as duas da tarde o estacionamento já estava interditado, por conta de uma programação que começaria às 18 horas. O café de baixo do casarão estava fechado e a única opção de consumo de alimentos e bebidas era a lanchonete dos cinemas.)

Mas falando de Caribé. As obras expostas eram magníficas. Fiquei orgulhoso de proporcionar ao meu filho de 3 anos (Mateus) esta experiência. Isto me fez pensar na segunda metade do século XX e as figuras que habitavam Salvador. Foi o tempo de Glauder Rocha, Jorge Amado, Zélia Gattai, Dorival Caymmi, Vinícius de Morais, Baden Powell, Caribé, Pierre Verger, Novos Baianos, Caetano, Gil, Betânia, Gal Costa.

Tivemos lideranças na política, pensadores do desenvolvimento, como Rômulo Almeida, Carlos Mariani. Empresários inspiradores, como Norberto Odebrecht.

Vou parar de citar nomes para não cometer injustiças.

Era uma atmosfera rica, que só poderia gerar coisas boas.

Apesar das dificuldades, a Bahia se manteve como berço do Brasil, fazendo coisas geniais, sendo respeitada.

Quais os próximos passos da Bahia?

Quem serão os expoentes desta primeira metade do século XXI?

Falando das artes, hoje temos os geniais João Ubaldo Ribeiro e Carlinhos Brown. Ainda temos Caetano, Gilberto Gil.

Cadê a agitação própria dos gênios?

Será que nosso ambiente é tão rico como o do passado?

Será que o novo tempo não comporta expoentes como os do passado?

Ou será que empobrecemos?

Quem está fazendo diferença por aqui, de forma a moldar o futuro?

Se divirta!

Com alegria, sem depressão.

Ao longo de nossas semanas, muitas vezes nos pegamos repetindo comportamentos que nos levam a resultados ruins.

Por que insistimos em caminhos errados?

O que nos impede de mudar o rumo e sermos felizes?

Uma prática recente pode ser útil:

Meus filhos criaram o hábito de dizer, ao se despedirem, junto com vá com Deus, bom trabalho ou boa reunião, a expressão se divirta.

Quando me dei conta pela primeira vez, logo ao entrar no elevador, do poder dessa recomendação, reforcei minha crença na sabedoria dos pequenos.

Será que ao sairmos para os desafios diários estamos nos divertindo?

Será que é possível se divertir ao mesmo tempo em que corremos atrás de clientes, resolvemos problemas, mergulhamos em projetos e convivemos com PESSOAS?

Acho que sim. E se não fizermos rotineiramente isso, estamos adiando nossa felicidade. Esperando pelo céu para ser feliz? Se aposentar para poder curtir? 

Quem não vive agradavelmente o presente, esperando fazê-lo no futuro, está se comportando mais como a figurinha no começo dessa mensagem, e menos como gente.

Pense nisso.