Arquivo da categoria: Histórias

Categoria que congrega as histórias criadas ou adaptadas produzidas.

Vida no interior

Não falarei sobre nossa vida interior, isso é razão para um post bem mais longo…
O negócio é a vida das pessoas fora dos grandes centros.
Ontem tive o privilégio de me deslocar de carro entre Recife e Natal pela manhã. A vida nas cidades do interior do Brasil tem mudado rapidamente. As antigas plantações de cana-de-açúcar, que víamos abandonadas, foram fortalecidas, ganharam melhores condições de escoamento, equipamentos. A estrada está duplicada quase que completamente, em obra realizada pelo Exército Brasileiro, com excelente resultado. Tudo bem sinalizado, com movimento impressionante de carros, muitos deles novos.
Claro que temos diversos desafios. Nosso tecido empresarial ainda é pobre, temos grandes vazios, a segurança, os serviços públicos deficientes, a corrupção que detona milhares de programas necessários.
Mas quero destacar um detalhe que me chamou a atenção: nossos interesses são muito parecidos. Mesmo em lugares que não esperamos encontramos desejos próximos dos mais sofisticados de nossas grandes cidades. A foto abaixo é apenas um exemplo, mas há muitos outros: sorvetes de caixinha, hamburgers, chicletes, roupas, tênis etc.

“Quem é Vuarnet, nunca vai ser Rayban”

vuarnet
Eu era apenas um guri de 16 anos pela primeira vez que vi esses óculos. Os pais do meu amigo Deco tinham voltado de um passeio na Europa e trouxeram um para ele. Imediatamente caiu na minha preferência. Pedi emprestado e fiquei meses com o “equipamento”. Com meu primeiro salário, um ano depois, comprei um para mim. O salário não conseguiu pagar a conta toda…
Tive muitas boas experiências com ele. Cheguei a pensar que via o mundo diferente! As lentes cristal originais da Vuarnet não têm comparação com qualquer outra, deixam o mundo mais interessante. Parece que eliminam as imperfeições de caráter, as dificuldades, as frustrações. Viciei nesse negócio. Quando estava de saída de Porto Alegre, perdi o primeiro, após um acidente.
Quando cheguei na Bahia, comprei outro. E ele era meu companheiro inseparável de todas as horas, agora só durante o dia…
Uma bela tarde, ao entrar em um ônibus na Rua Padre Feijó, um assaltante tentou me roubar. Ele ficou com os óculos, mas sem uma lente e uma haste. Após uma perseguição implacável, com o apoio de um taxista-policial, recuperei as ruínas e remontei. Não durou muito tempo. Quebrou no bolso de uma bermuda…
Comprei outro, todos sempre foram iguais, pretos, originais. Mais ótimos momentos juntos, viagens, experiências, alegrias, aprendizados.
Em novo acidente, perdi novamente uma paixão verdadeira…
Aí começou um período muito difícil. Os óculos saíram de linha. Não havia um para vender em Salvador, nem em Brasília, nem em São Paulo, Rio de Janeiro ou Porto Alegre. Após esgotar as tentativas no território nacional, tive a oportunidade ir à França. Após diversas visitas à óticas e lojas da própria Vuarnet, a mesma informação: não produzimos e não vendemos mais. O mundo voltou com as imperfeições. Nenhum óculos atendia aos meus desejos. O mundo nunca mais seria o mesmo…
Tentei Rayban, Mormaii, Oakley, marcas famosas. Me contentei com um Rayban.
O mais interessante é que eu não sabia o que faltava para minha felicidade. Ficava esperando saciar essa vontade com outras coisas, estranho.
Porém, tchan, tchan, tchan, tchan! Abriu uma loja da Vuarnet em Salvador!
Cabe destacar que sempre procurei, em todas as lojas da Vuarnet em Shoppings e Aeroportos. Nunca deixei de procurar, mesmo sem saber que me fazia tanta falta…
Pois bem, na ampliação do Salvador Shopping, o melhor de Salvador, sem dúvidas, aparecem os meus óculos, o autêntico Vuarnet com o V no terceiro olho. Consulto o vendedor, mas só tem na cor …. LILÁS! Segundo ele era “tendência”. Quase brigamos…
Uma semana depois, passo pela mesma vitrine, incrédulo e … lá está ele. Me olhando. Esperando pela minha chegada. Surtei de alegria! Paguei o que pediam, sem negociar. Nem acreditava direito que estava novamente com ele. Pensei em usar mesmo à noite. Me controlei, guardei direitinho no carro. Nem levei para casa, deixei lá até de manhã.
No dia seguinte, acordei com outro ânimo, tomei um super café da manhã, me arrumei, transbordei sorrisos, desci o elevador super-simpático, entre o carro, saquei os óculos do estojo, e voltei a ver o mundo daquele modo que o guri de 16 anos.
Meus amigos e sócios estranharam a minha felicidade e gaiatice. Me tornei outra pessoa, mais generosa, mais corajosa, mais compreensiva, mais competente, mais animado, mais legal.
Não venha me dizer que é apenas um desejo material! É o meu jeito de ver o mundo, o que escolhi, o que me adaptei melhor. Estou feliz apenas por isso!
Fiz questão de compartilhar com você.
Nunca me adaptaria com o Rayban, que já passei adiante e custou quase a mesma coisa.
O que pode fazer você mais feliz?
Quanto custa isso?
Está disponível para comprar?
Você está procurando de verdade?
O que você está esperando, vá lá!

EU USO ÓCULOS!

Acidentes acontecem, Felipe Massa

Ele vai ficar bem.

Ele vai ficar bem.

Nos acostumamos a ver os treinos, acordar para ver a largada aos domingos.

A Fórmula 1 faz parte de nossas vidas. Alguns começaram com Emerson Fittipaldi, outros com Nélson Piquet, principalmente com Ayrton Senna.

É verdade que já fomos bem mais talentosos e vencedores, mas ainda é um objeto de atenção nacional.

As minhas maiores alegrias na F1 foram com Senna, aquelas corridas impossíveis ganhas no detalhe, com raça, coragem e persistência. Exemplos que ficarão para toda a vida.

A minha maior frustração foi quando estava com minha filha em frente a TV, de pé, esperando pela vitória suada de Rubinho, quando ele deixou Schumacher passar na reta final. A criança ao meu lado ficou perguntando “Ele ganhou pai?”. E explicação foi dolorosa. Frustração, raiva do sistema capitalista. Anti-competição.

Nunca assisti a um grande prêmio in loco. Tenho vontade. Já estive em autódromos. O primeiro, Tarumã, próximo a Porto Alegre. O segundo, Jacarepaguá, para assistir ao show do U2 e, mais recentemente, fiz o circuito de Mônaco, em viagem de negócios.

Tudo isso para dizer que quando vejo as fotos e imagens do acidente de Massa meu coração dispara. Não apenas porque lembro como é dura essa vida de piloto, com riscos enormes sendo corridos permanentemente, apesar das regalias, do glamour, da fama, da grana.

Não sei se compensa.

Muito porque lembro daquela manhã de domingo, quando Senna se foi no GP de San Marino, na curva Tamburello. Sofremos, choramos, perdemos um exemplo positivo para o país.

Mas tem outro motivo. É particular e me toca mais. Lembro dos meus dois acidentes de carro, do sofrimento imposto aos que gostam de mim, da dor, da preocupação, das limitações, das recuperações, dos medos, da angústia.

É verdade que tudo acabou melhor do que se poderia esperar, mas as marcas ficaram.

Profundas.

Quando vejo Felipe Massa machucado, me vejo. Como no dia que tive coragem de me olhar no espelho e quase não me reconheci.

Lembro de mim, valorizo a minha vida e agradeço ao meu bom DEUS por estar aqui, poder ser lido por alguns, admirado por outros, alegre, feliz, realizado. É verdade que outros pensam de outros modos, mas é a vida.

Sou muito orgulhoso de ter olhado para a frente, de ter lutado, superado tudo. Isso só foi possível quando me coloquei no meu lugar, humilde, pequeno perante a vida e a morte.

O BomPreço não é mais aquele

 

bom preço

bom preço

Assisti ontem à tarde um vídeo divulgando o poder das etiquetas eletrônicas, que serão incorporadas às embalagens dos produtos, facilitando as compras nos supermercados. Com isso, não precisaremos mais retirar os produtos dos carros de compras, passar pelos caixas e retornar ao carrinho, antes de colocar no porta-malas do automóvel. Será um ganho significativo. (Vejam a reportagem em http://www.youtube.com/watch?v=l7bR9YmnkN0)

 

Pois bem, à noite precisei voltar ao meu querido Hiper Bompreço Iguatemi. as mudanças continuam à pleno vapor. A grande maioria segue o caminho da mediocridade: 1) ar condicionado desligado às 21 horas, certamente como medida de redução do consumo de energia; 2) mudanças radicais e constantes na localização dos produtos; 3) redução das opções de fornecedores; e 4) FILAS. Esse último item merece atenção. São grandes filas, tanto para a opção de caixa “rápido” para “pequenas” compras, mas também no que se refere ao número de caixas disponíveis. Demora mais passar no caixa do que fazer todas as compras. Demorei 45 minutos para comprar e 50 minutos do final da fila ao término do empacotamento das compras. Nesse tempo, vivencei uma ríspida discussão da empacotadora com um cliente que queria passar as compras, mas o caixa fecharia após a minha vez, pedidos de ajuda para compras de alguns produtos, solicitações de informações, e aquele cara que fica anunciando ofertas como se fosse um feirante durante todo o tempo.

No passado recente, surgiram as opções de compras via internet, mas nenhuma se consolidou como confiável e facilitadora por aqui. Essa opção da etiqueta eletrônica pode ajudar a resolver um pouco essa questão. Ou será que com isso as megacorporações internacionais de varejo vão reduzir ainda mais os caixas, eliminar o ar condicionado e manter os mesmos preços?

Quem aguenta?

O espaço na cidade – Praça Ana Lúcia Magalhães

“Em meio a construção de tantos prédios, surgem espaços, como esse, que antes não eram tao valorizados e que hj tomam um importância que acredito ser imensurável para o bom convívio social de uma comunidade, envolvendo lazer, cidadania, meio-ambiente, etc. ”  Eduardo Bezerra

 

Itaigara - Salvador - Bahia

Itaigara - Salvador - Bahia

Logo na chegada em Nova York, em nossa primeira visita, no ano de 1996, algumas coisas chamaram a atenção. Destaque para a sempre valorizada mistura de estilos, de nacionalidades e as inúmeras opções de lazer, com teatros, museus, bibliotecas e monumentos. Evidente que o Central Park também é uma obra de grande importância para a vida da cidade, pois foi planejado com muita inteligência para se integrar aos interesses do cidadão. É o grande monumento da metrópole. Mas além desses espaços conhecidos mundialmente, observamos outros dois pequenos detalhes, entre os infinitos possíveis.

Primeiro, o ritmo de vida não permite o deslocamento para o almoço em casa para quase todos que trabalham. Isso, apesar de um sistema de transporte, principalmente organizado a partir de metrô e ônibus, muito bom. A partir desse fato, as pessoas costumam almoçar rapidamente próximo aos locais de trabalho e às escolas/faculdades. Porém, o almoço fora da residência é diferente do que estamos acostumados nas grandes cidades brasileiras! Não é sentar em uma mesa em um local fechado, exclusivamente.  É também comprar embalagens de saladas, sanduíches (naturais ou não), sucos, sobremesas e até pratos executivos, para o consumo sentados em praças, largos, escadarias de prédios públicos, sempre aproveitando o tempo dedicado à alimentação para esparecer, relaxar e encontrar pessoas.

Segundo, e aí chegamos ao ponto que merece atenção em nosso processo de desenvolvimento, há diversas pequenas praças, bem conservadas em muitos lugares. São espaços que servem para esse convívio no almoço, mas também para o passeio dos mais experientes no início da manhã, para o exercício físico, para a brincadeiras das crianças de todas as idades. Isso funciona como uma válvula de escape para as tensões diárias. Essas praças são arborizadas, possuem equipamentos públicos que funcionam, são protegidas por rondas policiais. É muito bom poder parar por alguns instantes em um desses lugares para meditar, esfriar a cabeça, ouvir os pássaros e sorrir para desconhecidos.

Nossas grandes cidades, com honrosas exceções, não possuem esses espaços de convivência. Diversão é praia, shopping e algumas outras pequenas coisas. Sempre fiquei em dúvida se as praças de Nova York teriam boa aceitação em Salvador. Recentemente, essa pergunta foi respondida com a inauguração da Praça Ana Lúcia Magalhães, no Itaigara. Cada vez mais, é um local que atrai pessoas. Seja para a prática de esportes, teatro, capoeira ou brincadeiras. Reune pessoas de todas as idades, todos os dias da semana, em todos os horários. É uma opção que serve como alternativa para um final de tarde de sábado , com as crianças,  sem custo, para a realização de um programa familiar e saudável. Isso que muitas árvores ainda não dão sombra…

O espaço era desocupado anteriormente e sem urbanização. A Praça possui ciclovia, parquinho para as crianças, aparelhos de ginática e pista de cooper. Possui estacionamento para carros, cobrado durante o horário comercial. Uma rápida ação da Prefeitura e um acordo de conservação com uma empresa privada, presenteou os moradores da região e todos os demais que a visitam um equipamento público de grande valor e que está recaracterizando a convivência no bairro.

Que sirva de exemplo para a reprodução em outros espaços de nossas cidades.

Você tem um espaço público próximo à sua casa que dê prazer em frequentar? Comente.

Verão: calor, praia e lei seca

O domingo começou chovendo, mas no meio da manhã o sol deu o ar da graça e brilhou forte, trazendo temperaturas que convidavam para o melhor programa do dia semanal dedicado ao descanso: PRAIA. É verdade que é o dia menos propício para o descanso nesse tipo de programa, mas estava realmente convidativo.

Fui com a família para Stella Maris, tradicional praia de Salvador. O caminho foi tranquilo, com pouco trânsito. Estacionamos fácil e nos instalamos em uma barraca. Essa foi a sequência: protetor solar, água, picolé Capelinha (você não conhece Salvador – Bahia – Brasil ?), banho de mar, queijo coalho assado (nunca foi à praia em Salvador?), mais picolé Capelinha, banho de mar, água de côco (fabulosa), acarajé cortadinho no prato (já ouviu falar?), água mineral, banho de chuveirão, conta e de volta para o carro. Durante todo esse tempo, de 11 horas às 15 horas, o sol cresceu e começou a diminui de intensidade, causando grande relaxamento e bem estar. Geralmente as pessoas saem da praia quando chega o meio-dia, mas logo depois é que a praia começa a ficar melhor, com o calor diminuindo.

O programa típico de “ir à praia” em Salvador não termina nessa saída da praia, mas em um dos bares da cidade, com nova sequência de consumo: cerveja, água, refrigerante, carangueijo, filé com fritas, cerveja, moqueca de camarão, pirão, cerveja. O custo aumenta, mas o entretenimento fica mais completo.

Para terminar, um sorvete na padaria e está feita a alegria da família no Domingão. Xô Faustão!

Ensaios de verão I – Negra Cor

Ontem fui ao ensaio da Negra Cor no Bahia Café Hall na Papalela. Chegada tranquila, estacionamento R$ 10 antecipado. Apesar do horário de início previsto para 21 horas, chegamos depois das 22h30min e ainda não havia começado. Logo depois começou com a banda baiana Batifun. Tocou um interessante repertório de sambas, movimentando o público presente. Os caixas para compra de fichas de bebidas estavam tranquilos, durante todo o evento, assim como o serviço de biritas. O intervalo foi longo e o show da banda anfitriã foi regular, sem grande ânimo, tendo como ponto alto a participação especial de Jau, que cantou alguns sucessos e fez boa dobradinha com Adelmo Casé. O repertório da Negra Cor atualmente é de músicas das grandes bandas de axé e pagode, cantando os sucessos, com poucas novidades e sem a mesma animação dos autores (Chiclete, Asa, Ivete, Psirico). A mesa de controle é muito grande para o espaço e atrapalha a visão de quase metade da área. O espaço do camarote estava bem lotado. Um ponto que merece atenção são os carrinhos de Camareto e Espetinhos em meio ao público, contaminando o ambiente com o cheiro forte. Quem se aproxima, parece estar assistindo de dentro de uma cozinha durante a fritada de batatinhas. Valeu como programa de sexta à noite no verão baiano. Outra vez? Dentro de 5 anos…