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Que país é esse?

Hoje vacilei e acabei assistindo ao Jornal Nacional.Só lembrei da música do Legião Urbana. Sou Geração Coca-Cola mesmo, somos Another Brick on the Wall. E está faltando isso por essas bandas…

Primeiro a alegria com César Cielo. Realmente vibrei muito no início da tarde com o desempenho do cara, com a demonstração de sensibilidade com o hino nacional, coma recompensa pelo esforço de toda uma vida. Mas depois lembrei do menino que teve que sair do Brasil para ser grande, por falta de condições para treinar, de apoio, de políticas sérias para o esporte. Lembrei de quantas outras mentes e corpos brilhantes que precisam sair do país para vencer e de quanto perdemos com isso. Recentemente, nosso campeão mundial de ginástica Diego Hipólito estava na Tv dizendo que pensava em largar o esporte competitivo por falta de patrocínio para disputar uma das etapas do circuito mundial, onde era o Líder! Para não falar apenas de esporte, podemos citar exemplos nas ciências e na tecnologia.

Segundo, uma mãe de Rondônia querendo dar os órgãos de sua filha que está aguardando a morte, por conta de uma doença grave, mas o estado de Rondônia não tem capacidade para captar outros órgãos, que não córneas. Milhares de pessoas nas filas dos transplantes e não temos estrutura mínima para salvar vidas no país. O melhor hospital de Rondônia, um dos estados brasileiros, tem restrições grandes.

Terceiro, os gols do sábado para animar os fanáticos. Mas os gols de Fortaleza 3 x 2 Bahia não são mostrados na totalidade, porque tem que passar os gols do Vasco e do Palmeiras. Falta de respeito com milhares de telespectadores do pobre nordeste.

Quarto, a notícia de que um desembargador do DF proibiu o Estadão de divulgar supostas falcatruas de Fernando Sarney e os seus amigos. Até quando vamos viver o patrimonialismo no Brasil? Quando vamos nos livrar desse ranço e adotar os ideais da Revolução Francesa, que só se tornaram lições há 220 anos?

Para terminar, ao longo de todas as chamadas de intervalos, o gancho era a volta de Marta, a melhor jogadora de futebol do mundo, ao Brasil, para jogar no Santos. Mas assim com Cielo, sempre tem um detalhe obscuro: ela está voltando apenas por três meses dos EUA, para jogar um campeonato apenas. Vem tirar umas férias no Brasil. Esse país é bom para isso mesmo, diversão, lazer e negócios. No futebol, mandamos nossos pupilos de 19 e 20 anos para os mercados ricos ou nem tanto (Turquia, Catar, Grécia) e trazemos de volta jogadores com 30 anos, após lesões, escândalos, noitadas e dinheiro.

Quase esqueci que via também outras duas reportagens muito interessantes. Uma falava dos 41 containers de lixo que recebemos da Inglaterra e que foram devolvidos hoje. Esse pegamos, mas quantos outros entraram e nunca ficaremos sabendo?

Por fim, mesmo, o Brasil está com falta de molibdênio, material fundamental para a realização dos exames de cintilografia, usados para investigações em casos de condições traumáticas, tumores (primários e metastáticos), artrites, infecções, doenças ósseas metabólicas, lesões ósseas, doenças vasculares e hemorragia digestiva baixa. O fornecedor canadense está com sua planta paralisada, a Argentina está fornecendo um terço da necessidade nacional e agora foram abertas negociações com fornecedores sul-africanos para que possam minimizar as necessidades do país. Enquanto isso, 5 mil pessoas deixam de ter diagnósticos precisos para suas doenças, ficando totalmente vulneráveis.

Por que não produzimos molibdênio? Porque somos dependentes de tecnologia em diversas áreas. Porque nossos filhos vão brilhar no exterior. Porque nossas crianças não tem boas perspectivas, principalmente no norte, no nordeste e nas periferias das grandes cidades. Porque a corrupção detona o Brasil.

Que país queremos? Esse do JN? É o melhor que podemos fazer, geração Coca-Cola?

Será que nossos filhos não vão nos crucificar no futuro por termos deixado isso tudo permanecer assim?

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